terça-feira, 1 de abril de 2014

Escrevo-te





Escrevo-te em meu poema louco, 
Na minha voz rouca
Nos meus cabelos soltos
Escrevo-te em cada sorriso meu ao lembrar-te
Em cada vez que estou a olhar-te
Escrevo-te em nossa espera
Em nossa partida, em nossa chegada
Escrevo-te em meu amor
Meu calor, 
Em meu sussurro baixinho na madrugada
Escrevo-te em meu corpo
No teu corpo
No meu querer mais louco, que não é pouco
Escrevo-te em cada música, 
Em cada desejo, em cada pensar
Escrevo-te na sua demora
Em cada espera de ver-te
Escrevo-te!


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Fica




Diz que eu ganho até folgado
Mas perco no dado
E não lhe dou vintém
Diz que é pra tomar cuidado
Sou um desajustado
E o que bem lhe agrada, meu bem
Mas fica
Mas fica, meu amor
Quem sabe um dia
Por descuido ou poesia
Você goste de ficar



Chico Buarque

Tua ausência




Com o tempo acostuma-se com as ausências da vida
Mas eu juro que não queria me acostumar
Com a ausência de suas mãos me acariciando
Com a ausência do seu beijo me enfeitiçando
Com a ausência do seu olhar me hipnotizando
Do seu corpo sobre o meu, nas nossas noites de amor
Com a ausência dos teus carinhos e palavras sem sentidos
Palavras essas que, nem era preciso dizer
Com a ausência do nosso silêncio
Do nosso olhar
Dos nossos suspiros e caricias sem fim
Com a ausência dos nossos "sims" dos nossos "nãos"
Com a ausência das nossas vontades 
Das loucuras que, só a gente entende
Não ... não quero me acostumar com essas ausências
E ao mesmo tempo me acostumo
Sentindo aquela leve saudade
Aquela leve vontade
Aquela leve dor

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Gosto ...


                               



Gosto dos gostos que a gente tem quando se lambe em desgoverno de desejo. Meus poros, teus poros se abrem_ gotículas de sal do nosso suor, nosso tempero emocional de urgências. Gosto das fantasias que nos governam e das travessuras entre os lençóis, das nossas loucas experiências. Dos torpedos pornográficos ao longo do dia, do nosso sol intenso, nossas tempestades, nossa ventania. Gosto do jeito fervoroso em que começamos o dia. Gosto das tuas habilidades de amante veterano e da doçura de menino febril e carente, gosto do meu pescoço entre os teus dentes. Gosto da tua voz ao telefone, ao pé do ouvido, na gravação daquele vídeo. Gosto de cada bobagem que nos faz rir, do papo cabeça antes de dormir, da poesia inaugurando o dia, gosto dessas nossas sintonias. Gosto do sexo no chuveiro, do sofá molhado, do olhar convidativo cheio de malícia. Gosto de adormecer e despertar com tuas carícias. Gosto dessa sacanagem cheia de ternura e afeto, dessa vadiagem, desse nosso amor indiscreto. Gosto de sentir teu hálito, de beber teu cheiro, de morder tua orelha. Gosto de saber que você gosta de gostar de mim assim: meio insana, um pouco insone, um tanto irritadiça, leal, fiel, facilmente excitável... Gosto de ser tua delícia.

Marla de Queiroz


                                                                                             

Tenho ciúmes






Tenho ciúmes quando não estou com você
Tenho ciúmes quando minhas mãos, não estão nas suas
O nosso olhar não se encontra
E nossa boca não se entrelaça
Tenho ciúmes quando não sei o que você pensa
Ou o que você quer
Ciúmes da nossa distância, de não estar com você 
Tenho ciúmes do que você não fala
Da maneira que você age ... e não age
Tenho ciúmes do teu rosto misterioso e indeciso
Ciúmes do teu mistério ... de não saber
E de no fundo saber
Ciúmes do seu pensar
Ciúmes do teu falar
Um ciúmes leve e gostoso
Mas que no fundo, me domina por dentro